Foi-se o tempo em que uma secretária ficava na mesa da ante-sala do diretor atendendo as ligações e encaminhando os visitantes. Aos poucos, foram conquistando novas posições no mercado de trabalho e ganhando o respeito no mundo corporativo a ponto de nenhuma organização conseguir sobreviver sem elas. Para comprovar isso, é só observar o organograma de uma empresa. Essas profissionais estão lá em cima, bem perto dos diretores, ocupando um lugar de confiança.
Para Meire Naomi Fujimoto, consultora de recursos humanos, da Catho On Line, também já passou a época em que as secretárias precisavam agradar aos chefes. Agora, elas têm um papel importante na gestão das corporações e tomam algumas decisões. "As empresas sempre buscam uma profi ssional que tenha capacidade de administrar além da rotina empresarial e que também seja ágil. A secretária deve estar antenada às tendências tecnológicas para conseguir boas colocações no mercado", explica a consultora.
A profissão está crescendo e alcançando o respeito profissional dentro da área corporativa. "Hoje, a secretária é uma facilitadora para o executivo. Ela leva os assuntos em pauta da forma mais resumida, às vezes até a solução", afirma Cilene Pignataro, secretária-executiva da vice-presidência do Grupo Arteb, e diretora de treinamento, desenvolvimento e educação do Sinsesp (Sindicato das Secretárias).
Exemplo nacional "O jornal The Guardian", da Inglaterra, disse em um artigo que a secretária brasileira é a mais bem preparada do mundo. E não é para menos, ela é referência mundial. Pessoas de outros países vêm ao Brasil para ver e aprender como trabalha essa profi ssional. Até a legislação do país deu uma ajuda, pois atualmente exige que sejam registradas na Delegacia Regional do Trabalho (DRT - atual SRTE). E mais, desde 1985, o título só pode ser obtido após um curso universitário de quatro anos de duração.
No ano passado, no Dia Nacional da Secretária - 30 de setembro -, o presidente Lula fez uma menção à essa profi ssional. O que, segundo a categoria, é um reconhecimento. "O próximo passo é a luta pelo conselho regional das secretárias", enfatiza Cilene Pignataro.
Mas o secretariado não é só uma profissão para mulheres, muitos homens já abraçaram a idéia. Segundo Cilene, a faculdade está atraindo o sexo masculino porque tem uma grade curricular muito rica. "Depois, com uma pós-graduação em uma área mais específica, os alunos conseguem entrar no mercado de trabalho bem formados".
Os estudos para se dar bem na profissão não param por aí. Para ter o trabalho valorizado, uma secretária precisa investir em línguas estrangeiras. Falar inglês fluentemente é a base, e outras línguas, dependendo da empresa, também são imprescindíveis, como o espanhol, o italiano, o alemão e o francês. O português, então, deve ser impecável, pois cartas, relatórios e todos os textos que saem da diretoria não podem ter deslizes.
Além de mais estudos, que são considerados essenciais para desempenhar a profi ssão, é interessante que as secretárias participem regularmente de seminários, palestras e congressos. Só assim é que os profissionais de uma mesma área podem ter uma dimensão melhor sobre a sua classe, trocar experiências e, por que não?, aumentar o networking. Afinal, todo mundo precisa estar antenado, até para encontrar um emprego melhor.

*Artigo publicado na Revista Vida Executiva